{"id":1025,"date":"2009-06-10T14:33:21","date_gmt":"2009-06-10T17:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/35.168.5.64\/edgardgouveia\/?p=1025"},"modified":"2019-09-03T01:03:35","modified_gmt":"2019-09-03T04:03:35","slug":"a-importancia-da-educacao-ambiental-para-a-pratica-da-gestao-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/edgardgouveiajr.com.br\/en\/a-importancia-da-educacao-ambiental-para-a-pratica-da-gestao-urbana\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o ambiental para a pr\u00e1tica da gest\u00e3o urbana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/arquitextos\/10.109\/49\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vitruvius<\/a> por Antonio Elias Firmino Ferreira<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1026\" src=\"http:\/\/edgardgouveiajr.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/29d7_516-01.jpg\" alt=\"\" width=\"96\" height=\"72\" \/><\/p>\n<p>Autores como Camargo <em>et al<\/em> (1), Jacobi (2), Moreira (3) e Ferreira (4) apontam os caminhos economicistas tomados pelos governos mundiais (o do Brasil, mais especialmente) nas discuss\u00f5es sobre o futuro do pa\u00eds, impondo as reformas econ\u00f4micas sobre as demandas s\u00f3cio-ambientais. Ap\u00f3s eventos como a Confer\u00eancia de Estocolmo (1972), a Confer\u00eancia Intergovernamental sobre Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (EUA, 1977) e o ECO-92 (Rio de Janeiro, 1992); tratados como o relat\u00f3rio Brundtland, a Agenda 21 e o Protocolo de Kyoto; acidentes como os vazamentos de lixo t\u00f3xico em Love Canal (EUA, 1976) e de gases t\u00f3xicos em Bophal (\u00cdndia, 1984) e a explos\u00e3o em Chernobyl (Ucr\u00e2nia, 1986); e a grande exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia de institui\u00e7\u00f5es como o Dia da Terra, o World Wildlife Fund e o Greenpeace, as quest\u00f5es relativas ao meio ambiente passaram a ser realmente discutidas \u2013 embora sem sair da teoria para partir para \u201cuma agenda consistente de a\u00e7\u00f5es dirigidas \u00e0 efetiva solu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel, dependente de reformas profundas nas estruturas de governo, da sociedade e da cultura.\u201d (5)<\/p>\n<h5>&#8220;As pol\u00edticas antiurbanas comuns no mundo em desenvolvimento durante os \u00faltimos vinte e cinco anos t\u00eam sido baseadas numa compreens\u00e3o equivocada dos desafios e das oportunidades do crescimento urbano. A pobreza urbana \u00e9 inquestionavelmente um problema significativo e crescente em muitos pa\u00edses em desenvolvimento. Os problemas ambientais est\u00e3o cada vez mais concentrados em centros urbanos. Contudo, responsabilizar as cidades pela pobreza e por problemas ambientais n\u00e3o resolve a situa\u00e7\u00e3o. A dispers\u00e3o ou desconcentra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e das atividades econ\u00f4micas n\u00e3o trariam melhora \u2014 mesmo que fossem poss\u00edveis.&#8221; (6)<\/h5>\n<p>William Rosa Alves (7) alerta para o uso e interpreta\u00e7\u00f5es que os governantes de pa\u00edses subdesenvolvidos fazem dos documentos produzidos pelas entidades internacionais.<\/p>\n<h5>&#8220;Desta forma, apesar de alguns avan\u00e7os localizados e importantes, n\u00e3o se alcan\u00e7ou o patamar de pol\u00edticas afirmativas que pudessem contribuir para reverter os altos n\u00edveis de pobreza, de devasta\u00e7\u00e3o ambiental ou de fragilidade dos poderes p\u00fablicos respons\u00e1veis pelo controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es da degrada\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds.&#8221; (8)<\/h5>\n<p>Em especial, nos tempos atuais, em que o crescimento urbano \u2013 consequentemente, o crescimento demogr\u00e1fico urbano \u2013 chega a for\u00e7ar o aumento dos impactos ambientais e a popula\u00e7\u00e3o adota uma postura ap\u00e1tica com rela\u00e7\u00e3o aos cuidados com o ambiente citadino, se faz necess\u00e1rio o uso de um instrumento considerado primordial para a mudan\u00e7a comportamental que o tempo exige: a educa\u00e7\u00e3o ambiental, que Meyer <em>et al<\/em> (9) definem como \u201cuma reivindica\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e um processo cont\u00ednuo de aprendizagem de conhecimentos para o exerc\u00edcio da cidadania.\u201d<\/p>\n<p>Tendo os pontos de vista expostos, o objetivo do presente trabalho \u00e9 fazer uma reflex\u00e3o sobre a contribui\u00e7\u00e3o que a educa\u00e7\u00e3o ambiental populacional pode trazer para o processo de gest\u00e3o citadina participativa, mudando o quadro de in\u00e9rcia entre os diagn\u00f3sticos ambientais e a tomada de decis\u00f5es e alterando a atitude do poder p\u00fablico e de outros atores urbanos em face ao meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>Sustentabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Camargo <em>et al (10)<\/em> citam v\u00e1rios crimes ecol\u00f3gicos que v\u00eam sendo cometidos no meio ambiente brasileiro, como os desmatamentos da Floresta Amaz\u00f4nica e da Mata Atl\u00e2ntica, a amea\u00e7a sofrida pelo cerrado frente \u00e0 agricultura de gr\u00e3os para exporta\u00e7\u00e3o (a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e o uso de agrot\u00f3xicos s\u00e3o apontados como grandes problemas nacionais), queimadas e inc\u00eandios espalhados pelo territ\u00f3rio do pa\u00eds etc. Estes delitos podem aumentar seu risco potencial devido \u00e0 defici\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o \u2013 os autores alertam que n\u00e3o h\u00e1 corpo funcional suficiente para acompanhar o crescimento do numero de \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>O aumento da popula\u00e7\u00e3o citadina tamb\u00e9m \u00e9 citado pelos autores. O relat\u00f3rio do Fundo da Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u2013UNFPA (11) revela que a popula\u00e7\u00e3o mundial chegar\u00e1 aos 5 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2030, e a sua maioria habitar\u00e1 as \u00e1reas urbanas de pa\u00edses em desenvolvimento. Camargo et al (12) manifestam preocupa\u00e7\u00e3o com o fato, pois este \u201ccrescimento urbano, aliado \u00e0 crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds tem enfrentado nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, levou \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o social e ambiental nas grandes cidades brasileiras.\u201d<\/p>\n<p>Os problemas s\u00e3o bem conhecidos: falta de saneamento b\u00e1sico, polui\u00e7\u00e3o sonora, do ar, da \u00e1gua e visual, crescimento urbano desordenado (acarretando a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de risco e\/ou de prote\u00e7\u00e3o ambiental e o abandono de \u00e1reas constru\u00eddas), superpopula\u00e7\u00e3o, chuva \u00e1cida, efeito estufa etc. \u201cA biodiversidade (&#8230;), o lixo urbano, o lixo hospitalar, o lixo qu\u00edmico e o caso insol\u00favel do lixo radioativo s\u00e3o grandes preocupa\u00e7\u00f5es dos novos ambientalistas.\u201d (13)<\/p>\n<p>Esta problem\u00e1tica n\u00e3o poder\u00e1 ser resolvida sem que ocorra uma mudan\u00e7a radical nos modelos sociais de valores e comportamento e nos sistemas de conhecimento, atualmente fundados no aspecto econ\u00f4mico do desenvolvimento, para que as causas destes reveses sejam revertidas. (14)<\/p>\n<p>Francisco Romanelli (15) exp\u00f5e um cen\u00e1rio apocal\u00edptico: caso a m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos do planeta continue neste ritmo, prev\u00ea-se o aumento das cat\u00e1strofes naturais e grandes preju\u00edzos naturais (principalmente nas \u00e1reas urbanizadas), extin\u00e7\u00e3o prematura de seres da biodiversidade, diminuindo a \u00e1rea verde e aumentando a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada, \u201cprovocando em retorno o aumento da mis\u00e9ria, da fome, e uma inevit\u00e1vel acelera\u00e7\u00e3o nos processos de degrada\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A atual crise ambiental que a humanidade enfrenta exige como resposta a preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas naturais que ainda restam, por parte de todos os atores: sociedade, especialistas, m\u00eddia, empresas, governo. Maria Helena Couto Costa (16) cita o seguinte trecho de Kothari:<\/p>\n<h5>&#8220;O respeito \u00e0 diversidade da natureza e a responsabilidade de conservar essa diversidade definem o desenvolvimento sustent\u00e1vel como um ideal \u00e9tico. A partir da \u00e9tica do respeito \u00e0 diversidade do fluxo da natureza, emana o respeito \u00e0 diversidade de culturas e de sustenta\u00e7\u00e3o da vida, base n\u00e3o apenas da sustentabilidade, mas tamb\u00e9m da igualdade e justi\u00e7a.&#8221;<\/h5>\n<p>Sobre a preserva\u00e7\u00e3o de ecossistemas naturais em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, Camargo <em>et al<\/em> (17) sustentam que<\/p>\n<h5>&#8220;houve no per\u00edodo um incremento significativo na \u00e1rea (&#8230;). Gra\u00e7as \u00e0 ades\u00e3o dos governos estaduais e de propriet\u00e1rios privados e atua\u00e7\u00e3o do governo federal, foi poss\u00edvel aumentar em aproximadamente 55% a \u00e1rea total sob prote\u00e7\u00e3o legal no pa\u00eds. Este n\u00famero \u00e9 particularmente significativo quando se considera que ele est\u00e1 sendo comparado \u00e0 soma das unidades de conserva\u00e7\u00e3o criadas nas seis d\u00e9cadas anteriores.&#8221;<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/p>\n<p>Entende-se que a educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 um ponto primordial para uma efetiva participa\u00e7\u00e3o populacional nos processos de planejamento e gest\u00e3o urbana. Mas \u00e9 necess\u00e1rio buscar primeiramente uma defini\u00e7\u00e3o para o termo.<\/p>\n<p>Santos e Xavier (18) tentam construir um conceito para Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, fazendo um apanhado de declara\u00e7\u00f5es sobre o assunto atrav\u00e9s dos tempos, pelos mais diferentes autores, e mostrando tr\u00eas dos mais representativos, encontrados na obra de Guedes (19).<\/p>\n<p>Num primeiro momento, Educa\u00e7\u00e3o Ambiental dizia respeito \u00e0 \u201cforma\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os em torno do ambiente biof\u00edsico e os seus respectivos problemas\u201d, embora mantendo um ponto de vista antropoc\u00eantrico e desconsiderando as rela\u00e7\u00f5es entre o homem e o meio ambiente:<\/p>\n<h5>&#8220;oferecer condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a um ambiente, para que possa desenvolver os seus recursos e as suas habilidades, a fim de poderem se confrontar \u00e0s quest\u00f5es promovidas pelo pr\u00f3prio homem, no tocante ao desrespeito com o Meio Ambiente.&#8221;<\/h5>\n<p>De acordo com Stapp (20), educa\u00e7\u00e3o ambiental seria:<\/p>\n<h5>&#8220;O processo que deve objetivar a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os, cujos conhecimentos acerca do ambiente biof\u00edsico e seus problemas associados possam alert\u00e1-los e habilit\u00e1-los a resolver seus problemas.&#8221;<\/h5>\n<p>Meyes <em>et al<\/em> (21) atualizam esta defini\u00e7\u00e3o, ampliando a vis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e pondo o homem num patamar al\u00e9m do de preocupa\u00e7\u00e3o com o seu pr\u00f3prio bem-estar \u2013 ele deve se conscientizar do seu dever para com o ecossistema. A partir da\u00ed, vem a consci\u00eancia de sua cidadania. Dizem eles:<\/p>\n<h5>&#8220;a EA \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e um processo cont\u00ednuo de aprendizagem de conhecimentos para o exerc\u00edcio da cidadania. (&#8230;) Para a EA lidar com a realidade, pode e deve ser o agente otimizador de novos processos educativos que conduzam as pessoas por caminhos onde se vislumbre a possibilidade de mudan\u00e7a e melhoria do seu ambiente total.&#8221;<\/h5>\n<p>Com o ECO-92, Santos e Xavier dizem que a vis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental ganhou uma nova dimens\u00e3o \u2013 mais do que a socializa\u00e7\u00e3o e a reivindica\u00e7\u00e3o de direitos, mas a de um ato pol\u00edtico, onde a natureza deixou de ser fornecedora de recursos naturais para adquirir um car\u00e1ter ideol\u00f3gico, que deve ser vista sob uma nova \u00f3tica, conforme nos diz Cassino (22):<\/p>\n<h5>&#8220;A EA deve envolver uma perspectiva hol\u00edstica, enfocando a rela\u00e7\u00e3o entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar. (&#8230;) A EA deve tratar das quest\u00f5es globais cr\u00edticas, suas causas e inter-rela\u00e7\u00f5es em uma perspectiva sist\u00eamica, em seu contexto social e hist\u00f3rico. Aspectos primordiais relacionados com o desenvolvimento e o meio ambiente, tais como popula\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, direitos humanos, democracia, fome degrada\u00e7\u00e3o da fauna e da flora, devem se abordados dessa maneira.&#8221;<\/h5>\n<p>Para se entender mais a real import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m entender um pouco sobre os processos de expans\u00e3o urbana.<\/p>\n<p>De acordo com Alves (23) e Villa\u00e7a (24), a urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil se deu (e ainda se d\u00e1) por \u201catua\u00e7\u00f5es perpetradas pelas classes dominantes\u201d (25), o que \u201cpressup\u00f4s uma urbaniza\u00e7\u00e3o anti-cidad\u00e3 (&#8230;). A express\u00e3o mais eloq\u00fcente disso \u00e9 uma urbaniza\u00e7\u00e3o com uma intensifica\u00e7\u00e3o (&#8230;) das (&#8230;) desigualdades na parti\u00e7\u00e3o das formas de riqueza, sobretudo de renda. Tal dimens\u00e3o estrutural \u00e9 vista tamb\u00e9m nas extensas periferias com condi\u00e7\u00f5es de vida em muito ditas \u2018subumanas\u2019.\u201d (26)<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Villa\u00e7a (27) explica que o processo de crescimento urbano em pa\u00edses subdesenvolvidos ou \u201cem desenvolvimento\u201d se d\u00e1 por duas frentes: 1) a <em>frente abastada<\/em> (chamemos assim), que usa de seu poder e influ\u00eancia para determinar onde ir\u00e1 morar e trabalhar (os fatores determinantes para suas decis\u00f5es variam de regi\u00e3o para regi\u00e3o); e 2) a <em>frente carente<\/em> (ponhamos desta maneira), que se estabelece em locais pr\u00f3ximos \u00e0 oportunidade de trabalho e cujos custos de moradia sejam compat\u00edveis com seu rendimento. Ambas as \u2018frentes\u2019 entram freq\u00fcentemente em conflito e os resultados f\u00edsicos deste antagonismo de classes s\u00e3o a ocupa\u00e7\u00e3o indiscriminada de espa\u00e7os que deveriam ser preservados, ou de locais de risco pela frente carente; e o abandono de \u00e1reas constru\u00eddas pela frente abastada, deixando-as em desuso.<\/p>\n<p>Este tipo de configura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, embora org\u00e2nico, \u00e9 \u201ct\u00f3xico\u201d para todos os envolvidos, por amea\u00e7ar o meio ambiente \u2013 tanto o natural, quanto o citadino \u2013 com as a\u00e7\u00f5es (conscientes ou n\u00e3o) de seus habitantes.<\/p>\n<h5>&#8220;Tomando-se como refer\u00eancia o fato de a maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira viver em cidades, observa-se uma crescente degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida, refletindo uma crise ambiental. Isto nos remete a uma necess\u00e1ria reflex\u00e3o sobre os desafios para mudar as formas de pensar e agir em torno da quest\u00e3o ambiental numa perspectiva contempor\u00e2nea.&#8221; (28)<\/h5>\n<p>Como aponta Miguel Ruano<\/p>\n<h5>&#8220;Durante muitos s\u00e9culos (&#8230;) os tecidos urbanos foram (muitos ainda o s\u00e3o) configurados organicamente por seus pr\u00f3prios habitantes. Nos processos tradicionais de crescimento urbano, os biotopos urbanos se constroem, quase que por defini\u00e7\u00e3o, para satisfazer as necessidades e desejos imediatos dos habitantes humanos.&#8221; (29)<\/h5>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 defendida por Ruano (30) como atividade primeira e primordial no processo de uma gest\u00e3o participativa. \u00c9 atrav\u00e9s da informa\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 base para tamb\u00e9m participar ativamente, pois ter\u00e1 consci\u00eancia de que tamb\u00e9m \u00e9 parte da cidade e deve zelar por ela, ao inv\u00e9s de adotar uma atitude ap\u00e1tica e simplesmente esperar que tudo mude.<\/p>\n<p>O processo para se chegar \u00e0 sustentabilidade enfrenta uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas sociais, que Jacobi chama de \u201cparadigma da \u2018sociedade de risco\u2019\u201d. Para que haja mudan\u00e7as comportamentais, \u00e9 necess\u00e1rio que se multipliquem as pr\u00e1ticas sociais de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental, em especial; al\u00e9m de aumentar o poder e o alcance das iniciativas que buscam a transpar\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais urbanos e sua divulga\u00e7\u00e3o para a sociedade.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o induz \u00e0 necessidade do acesso aos meios de comunica\u00e7\u00e3o como forma de propagar publica\u00e7\u00f5es, exposi\u00e7\u00f5es e\/ou apresenta\u00e7\u00f5es de cunho educacional, divulgando medidas e caminhos para alterar o quadro de degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Assim, acredita-se que o poder e a autoridade possam se reorganizar, ampliando e promovendo o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental em uma perspectiva integradora, aumentando a consci\u00eancia populacional e estimulando a sua participa\u00e7\u00e3o de modo mais propositor, questionador e inquisidor, \u201cem um n\u00edvel mais alto no processo decis\u00f3rio, como uma forma de fortalecer sua co-responsabilidade na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no controle dos agentes de degrada\u00e7\u00e3o ambiental.\u201d (31)<\/p>\n<p>Yvette Veyret (32) constr\u00f3i uma cadeia maior, apontando responsabilidades a todos os atores. As formas de m\u00eddia (impressa, audiovisual e\/ou cibern\u00e9tica) devem servir como ponte para a troca de informa\u00e7\u00f5es entre todos os atores. Os atores da sociedade civil devem desencadear o debate, denunciar os perigos, cobrar estudos aprofundados dos especialistas e dos atores econ\u00f4micos e cobrar solu\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos. Os pol\u00edticos, especialistas e atores econ\u00f4micos, por sua vez, t\u00eam o dever de utilizar as m\u00eddias para informar uns aos outros, comunicar-se, enviar alertas e\/ou prestar contas de suas a\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico.<\/p>\n<h5>&#8220;Existe, portanto, a necessidade de incrementar os meios de informa\u00e7\u00e3o e o acesso a eles, bem como o papel indutivo do poder p\u00fablico nos conte\u00fados educacionais, como caminhos poss\u00edveis para alterar o quadro atual de degrada\u00e7\u00e3o socioambiental. Trata-se de promover o crescimento da consci\u00eancia ambiental, expandindo a possibilidade de a popula\u00e7\u00e3o participar em um n\u00edvel mais alto no processo decis\u00f3rio, como uma forma de fortalecer sua co-responsabilidade na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no controle dos agentes de degrada\u00e7\u00e3o ambiental.&#8221; (33)<\/h5>\n<p>Entretanto, Alves (34) pontua que a classe dominante (a que chamamos frente abastada, anteriormente) pode se utilizar da superestrutura para manter sua for\u00e7a sobre o sistema de for\u00e7as de trabalho, submetendo a frente carente a uma \u201cidiotiza\u00e7\u00e3o (&#8230;) com a cara de \u2018educa\u00e7\u00e3o\u2019, com o r\u00f3tulo de \u2018cidadania\u2019, com o cheiro de \u2018futuro\u2019&#8230;\u201d como base para a moderniza\u00e7\u00e3o da sociedade, for\u00e7ando um novo jogo de submiss\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser utilizada da forma atual, como forma de divis\u00e3o social e destruidora da pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho em uma busca tecnicista \u201cmesmo que maquiada com adjetivos (&#8230;) como \u2018ambiental\u2019, \u2018tur\u00edstica\u2019, \u2018l\u00fadica\u2019 etc.\u201d:<\/p>\n<h5>&#8220;A gest\u00e3o do trabalho e da pobreza requer e concebe uma educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00f3 concorra e contribua, mas at\u00e9 propicie e chancele uma divis\u00e3o social do trabalho para al\u00e9m da divis\u00e3o t\u00e9cnica atrelada aos des\u00edgnios estritos da classe que domina as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia do todo, sobretudo porque aparece (&#8230;) como a superestrutura do desenvolvimento geral desejado pela sociedade.&#8221; (35)<\/h5>\n<p>A sociedade, neste momento, deve estar mobilizada para adquirir um car\u00e1ter mais inquisit\u00f3rio e propositivo, uma vez que \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o questionar os governos, e tal cobran\u00e7a deve ser feita com bases concretas de argumenta\u00e7\u00e3o no tratante \u00e0s pol\u00edticas relativas ao bin\u00f4mio sustentabilidade e desenvolvimento socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<h5>&#8220;Para tanto \u00e9 importante o fortalecimento das organiza\u00e7\u00f5es sociais e comunit\u00e1rias, a redistribui\u00e7\u00e3o de recursos mediante parcerias (&#8230;) para participar crescentemente dos espa\u00e7os p\u00fablicos de decis\u00e3o e para a constru\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es pautadas por uma l\u00f3gica de sustentabilidade.<\/h5>\n<h5>(&#8230;) Nessa dire\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as (&#8230;) formas de participa\u00e7\u00e3o (&#8230;), inclusive pelos setores menos mobilizados. Trata-se de criar as condi\u00e7\u00f5es para a ruptura com a cultura pol\u00edtica dominante e para uma nova proposta de sociabilidade baseada na educa\u00e7\u00e3o para a participa\u00e7\u00e3o.&#8221; (36)<\/h5>\n<p>Este \u00e9 o real papel da educa\u00e7\u00e3o ambiental: nada mais que uma ferramenta para o exerc\u00edcio da cidadania.<\/p>\n<p><strong>Cidadania<\/strong><\/p>\n<p>Por \u201ccidadania\u201d, De Pl\u00e1cido e Silva (37) entende como n\u00e3o somente \u201ca qualidade daquele que habita a cidade, mas (&#8230;) a efetividade <em>dessa resid\u00eancia<\/em> (grifo do autor), o direito pol\u00edtico que lhe \u00e9 conferido, para que possa participar da vida pol\u00edtica do pa\u00eds em que reside.\u201d Cidadania deve ser entendida como a certeza do cumprimento de seus deveres e da validade dos direitos de todos os habitantes de determinado local \u2013 conforme aponta Nuno Andrade Santos (38), como forma de satisfazer as necessidades b\u00e1sicas de natureza cultural, econ\u00f4mica e social de acordo \u201ccom a pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o qualitativa das condi\u00e7\u00f5es de exerc\u00edcio da \u2018vida urbana\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciosa para que a cidadania, atrav\u00e9s de uma educa\u00e7\u00e3o ambiental consistente, se fa\u00e7a e possa contribuir para a melhoria ecol\u00f3gica das cidades. Atrav\u00e9s das not\u00edcias veiculadas em jornais e revistas, da internet, r\u00e1dio e televis\u00e3o, as pessoas ganham \u00e2nimo e a base para defender a qualidade de vida e modificar o crescente quadro de degrada\u00e7\u00e3o. Seguindo o contexto, Jacobi (39) chama a aten\u00e7\u00e3o para o papel daquele que ir\u00e1 fazer o papel de educador: \u201cO educador tem a fun\u00e7\u00e3o de mediador na constru\u00e7\u00e3o de referenciais ambientais e deve saber us\u00e1-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma pr\u00e1tica social centrada no conceito da natureza.\u201d<\/p>\n<p>Edgard Gouveia Jr. (40), em entrevista ao website Museu da Pessoa, apresentou o projeto da Escola de Guerreiros sem Armas, que surgiu a partir das atividades sociais dos estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos e da observa\u00e7\u00e3o das vidas do povo e da cultura cai\u00e7ara, com quem estavam trabalhando durante a reforma do Museu da Pesca, e do interesse de estudantes de outras universidades em repetir a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>O projeto da Escola nasceu (e ainda acontece) na cidade de Santos, e trata-se de uma esp\u00e9cie de treinamento de profissionais, na cidade de Santos, para adentrar em \u00e1reas carentes e interagir com seus habitantes, de forma a descobrir suas potencialidades, conscientiz\u00e1-los delas e incentiv\u00e1-los a agir por conta pr\u00f3pria. Como relata o pr\u00f3prio Gouveia Jr.:<\/p>\n<h5>&#8220;Enquanto trabalh\u00e1vamos no museu, percebemos que era um desafio empolgante e quer\u00edamos envolver o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas. N\u00e3o era uma miss\u00e3o: salvar o museu mexia com as pessoas e todo mundo queria se envolver, nem precisava chamar. Como seria ent\u00e3o ampliar esse desafio? (&#8230;)<\/h5>\n<h5>Estamos envolvidos por tanta not\u00edcia ruim que acabamos fixando a id\u00e9ia de que n\u00e3o somos capazes. (&#8230;) \u00c9 uma depress\u00e3o social, cultural e generalizada, que impede a rea\u00e7\u00e3o.<\/h5>\n<h5>O Guerreiro sem Armas \u00e9 aquele que vai transformar isso. Vai trazer uma esperan\u00e7a, o que vai dizer assim: \u201cOlha, \u00e9 poss\u00edvel e vale a pena.\u201d (&#8230;) As estrat\u00e9gias s\u00e3o muitas. Uma delas \u00e9 aprender a tocar o pr\u00f3prio sonho, descobrir o que cada um faz. S\u00f3 de ouvir outra pessoa contar de onde veio, como era sua inf\u00e2ncia, ela come\u00e7a a brilhar de novo. S\u00e3o aquelas pessoas que est\u00e3o murchas, depressivas, ap\u00e1ticas, paralisadas na favela&#8230;<\/h5>\n<h5>A miss\u00e3o do Guerreiro sem Armas \u00e9 chegar l\u00e1 e chacoalhar isso de novo (&#8230;). \u00c9 construindo, mesmo. Construir pra\u00e7a, creche, e r\u00e1pido, para que as pessoas possam acreditar, tenham vontade de sair da toca. (&#8230;) Como o caso daquela fam\u00edlia que n\u00e3o consegue arar a terra dela inteira a tempo de plantar e colher. O que a fam\u00edlia faz? Convida um monte de fam\u00edlias e todo mundo vem no fim de semana e faz um milagre. E fazem isso cantando. Nossos cai\u00e7aras fazem isso. (&#8230;) \u00c9 esse o trabalho de mudar o mundo, de mudar uma situa\u00e7\u00e3o ruim e ser motivo de festa.&#8221; (41)<\/h5>\n<p>As atividades dos Guerreiros sem Armas incluem a popula\u00e7\u00e3o do local a ser trabalhado, pois todas as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em conjunto, depois de todas as partes ouvidas. E \u00e9 a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o quem passa a agir e construir, incentivada pelos profissionais num clima de festa. A partir da\u00ed, a popula\u00e7\u00e3o ganha a consci\u00eancia de que pode e deve cuidar de seu pr\u00f3prio espa\u00e7o:<\/p>\n<h5>&#8220;Os Guerreiros sem Armas se tornaram t\u00e3o populares que est\u00e3o se espalhando pelo mundo. &#8216;Na \u00faltima sele\u00e7\u00e3o para a Escola de Guerreiros sem Armas, que foi mundial, abrimos para todo mundo mesmo. Chegou morador de rua, ind\u00edgenas do meio do Acre, universit\u00e1rios, milion\u00e1rios, mexicanos, paquistaneses. Foi m\u00e1gico, e era uma utopia, n\u00e3o sab\u00edamos se ia funcionar, como n\u00e3o sab\u00edamos o que aconteceria no museu.'&#8221; (42)<\/h5>\n<p>Conforme foi dito, entre outros, por Ruano (43) e Villa\u00e7a (44), \u00e9 atrav\u00e9s da consci\u00eancia de sua cidadania \u2013 que vem com a educa\u00e7\u00e3o, como mostrado pela iniciativa do Guerreiros sem Armas (45) \u2013, que a popula\u00e7\u00e3o se sente como parte da cidade e apta a participar dos processos de planejamento e gest\u00e3o. \u201cNesse contexto (&#8230;), a educa\u00e7\u00e3o ambiental aponta para propostas pedag\u00f3gicas centradas na conscientiza\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7a de comportamento, desenvolvimento de compet\u00eancias, capacidade de avalia\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos educandos.\u201d (46) As maneiras de aproxima\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica desta teoria variam \u2013 \u00e9 prefer\u00edvel educar as novas gera\u00e7\u00f5es, desde a inf\u00e2ncia, e ensinar aos j\u00e1 crescidos atrav\u00e9s da pr\u00e1tica, seja ela consciente (preferencialmente) ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Casos como o da cidade de Curitiba s\u00e3o importantes para ilustrar esta pr\u00e1tica \u2013 indo at\u00e9 na contra-m\u00e3o da experi\u00eancia de outras prefeituras, cuja atitude com rela\u00e7\u00e3o aos problemas socioambientais era de relativa dist\u00e2ncia e pouca participa\u00e7\u00e3o, deixando o trabalho a cargo de ONGs. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba\u2013IPPUC (47) mostra as medidas pol\u00edticas do munic\u00edpio com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 \u201cas medidas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza e a participa\u00e7\u00e3o social fomentaram a forma\u00e7\u00e3o do planejamento ecol\u00f3gico (&#8230;), garantindo a qualidade de vida.\u201d (48)<\/p>\n<p>Um programa praticado pela prefeitura \u00e9 a campanha \u201clixo que n\u00e3o \u00e9 lixo \u2013 lixo que \u00e9 riqueza\u201d, em que a popula\u00e7\u00e3o pode trocar lixo recicl\u00e1vel por tickets dados pela prefeitura; e que podem valer b\u00f4nus como passagens de \u00f4nibus, alimentos, brinquedos, livros, roupas, ingressos para eventos culturais etc. \u201cTal campanha foi uma forma encontrada pelo munic\u00edpio de englobar os habitantes mais carentes \u2013 principalmente os habitantes de favelas \u2013 no esp\u00edrito eco-empreendedor que tomou conta da cidade a partir da d\u00e9cada de 1950.\u201d (49)<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas a popula\u00e7\u00e3o carente foi afetada pela campanha. Tamb\u00e9m os s\u00edndicos e zeladores de pr\u00e9dios residenciais s\u00e3o estimulados a fazer a coleta seletiva em seus condom\u00ednios.<\/p>\n<p>Com o apoio e ades\u00e3o populacional, a campanha se estendeu \u00e0s escolas, dando-se pr\u00eamios \u00e0s turmas que recolhem a maior quantidade de material recicl\u00e1vel, al\u00e9m de as no\u00e7\u00f5es de ecologia, cidadania e \u00e9tica serem ensinadas aos estudantes desde a pr\u00e9-escola.<\/p>\n<h5>&#8220;Desde cedo as crian\u00e7as conhecem a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e aprendem a estabelecer uma conviv\u00eancia de equil\u00edbrio com o meio ambiente. Este aprendizado est\u00e1 impl\u00edcito em todas as atividades escolares, n\u00e3o configurando uma disciplina especifica justamente para que as crian\u00e7as percebam que a quest\u00e3o ambiental est\u00e1 presente, de diferentes formas e em diferentes situa\u00e7\u00f5es, na totalidade da vida do Homem.&#8221; (50)<\/h5>\n<p>Estas atitudes encontram eco nas palavras de Pedro Jacobi, para quem a sustentabilidade \u201ccomo novo crit\u00e9rio b\u00e1sico e integrador precisa estimular permanentemente as responsabilidades \u00e9ticas, na medida em que a \u00eanfase nos aspectos extra-econ\u00f4micos serve para reconsiderar os aspectos relacionados com a eq\u00fcidade, a justi\u00e7a social e a pr\u00f3pria \u00e9tica dos seres vivos.\u201d (51)<\/p>\n<p>Os efeitos do programa s\u00e3o sentidos tanto no ambiente urbano de Curitiba \u2013 ruas limpas e bem cuidadas, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de detritos despejados nos rios \u2013 como na realidade ambiental \u2013 com a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores que seriam desmatadas para a fabrica\u00e7\u00e3o de papel, por exemplo \u2013 e na auto-estima populacional \u2013 com acesso a bens b\u00e1sicos e a eventos culturais. E assim, como diz o IPPUC (52), \u201ca qualidade de vida, verifica-se concretamente por esta melhoria, est\u00e1 diretamente vinculada aos cuidados que se dispensa ao meio ambiente.\u201d Tal efeito positivo, como apontado por Ferreira (53), trouxe reflexos positivos \u00e0s carreiras de todos os envolvidos (pol\u00edticos, especialmente), e mais um reflexo extra: outras localidades do Brasil passaram a copiar n\u00e3o apenas esta, mas outras medidas urbanas de Curitiba, ap\u00f3s a cidade despontar mundialmente como exemplo de urbaniza\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Obviamente, nenhum dos dois exemplos aqui mostrado \u00e9 perfeito. Gouveia Jr. (54) assumiu que a Prefeitura de Santos, muitas vezes, deixou v\u00e1rias comunidades tidas como \u201cimposs\u00edveis de se trabalhar\u201d nas m\u00e3os dos Guerreiros sem Armas. J\u00e1 Curitiba, mesmo sendo um exemplo mundial de urbanismo, \u00e9 apontada por Marcelo Souza (55) como uma cidade longe de ter uma gest\u00e3o participativa.<\/p>\n<p>Ainda assim, eles conseguem mostrar que, mesmo seguindo m\u00e9todos diferentes e indiretos, a popula\u00e7\u00e3o, ao perceber que simples mudan\u00e7as de olhar e de atitude podem transformar o ambiente ao seu redor \u2013 sendo educados ambientalmente \u2013, adquire a consci\u00eancia de sua cidadania e passa a exerc\u00ea-la, exibindo em seu semblante o orgulho do seu lugar.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>O maior problema enfrentado pelo movimento ambientalista, hoje em dia, \u00e9 a apatia populacional \u2013 que Gilberto Dimenstein (56) chama de <em>analfabetismo urbano<\/em>. Deste modo, a sociedade acaba por \u201cdeixar passar\u201d muitos dos despaut\u00e9rios cometidos por pol\u00edticos incompetentes, empresas inescrupulosas etc., mesmo com indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para sair do estado let\u00e1rgico e exercer apropriadamente a cidadania, \u00e9 necess\u00e1rio possuir a informa\u00e7\u00e3o correta, e neste ponto se faz necess\u00e1ria a Educa\u00e7\u00e3o Ambiental.<\/p>\n<h5>&#8220;A dimens\u00e3o ambiental configura-se crescentemente como uma quest\u00e3o que envolve um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacita\u00e7\u00e3o de profissionais e a comunidade universit\u00e1ria numa perspectiva interdisciplinar.&#8221; (57)<\/h5>\n<p>Consciente dos impactos de seus atos, a popula\u00e7\u00e3o pode reeducar suas a\u00e7\u00f5es e passar a pressionar e fiscalizar o poder p\u00fablico, cobrando de seus representantes as melhorias de que a cidade necessita, ajudando a preservar as \u00e1reas ambientais e tamb\u00e9m ganha a for\u00e7a necess\u00e1ria para se fazer presente e ouvida nas discuss\u00f5es de planejamento e gest\u00e3o urbana. Como complementa Santos (58), \u201ca Democracia fomenta a participa\u00e7\u00e3o social.\u201d<\/p>\n<p>Marcelo Souza alerta para as dificuldades de se estabelecer a participa\u00e7\u00e3o popular no planejamento e na gest\u00e3o das cidades, em especial das cidades cuja situa\u00e7\u00e3o de fragmenta\u00e7\u00e3o (59) seja palco para a gera\u00e7\u00e3o de novos problemas, como o tr\u00e1fico de drogas nas favelas e os impasses resultantes da domina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o favelada pelos chefes das \u201cbocas\u201d. Mas o pr\u00f3prio Souza incentiva a iniciativa, encarando-a como o grande desafio que realmente \u00e9: \u201cum \u2018efeito de demonstra\u00e7\u00e3o\u2019 de interven\u00e7\u00f5es bem-sucedidas (&#8230;) pode pressionar no sentido de um clima crescentemente desfavor\u00e1vel para os traficantes naqueles locais onde a participa\u00e7\u00e3o e as suas conseq\u00fc\u00eancias positivas se virem bloqueadas.\u201d (60)<\/p>\n<p>Finalizando, o relat\u00f3rio do UNFPA faz um \u00faltimo apelo:<\/p>\n<h5>&#8220;As decis\u00f5es tomadas hoje nas cidades do mundo em desenvolvimento dar\u00e3o forma n\u00e3o somente a seus destinos, mas ao futuro social e ambiental da humanidade. O mil\u00eanio urbano que se aproxima poderia tornar a pobreza, a desigualdade e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental mais manej\u00e1veis, ou poderia pior\u00e1-los exponencialmente. Sob essa luz, os esfor\u00e7os para se abordar os desafios e oportunidades apresentados pela transi\u00e7\u00e3o urbana devem ser permeados por um sentido de grande urg\u00eancia.&#8221; (61)<\/h5>\n<p>Este mil\u00eanio j\u00e1 est\u00e1 em seu nono ano.<\/p>\n<p>______________________________________________________________________<\/p>\n<p>notas<\/p>\n<p>1 CAMARGO, Asp\u00e1sia, CAPOBIANCO, Jo\u00e3o Paulo; OLIVEIRA, J.A. Puppim. (coord.). Meio ambiente Brasil: avan\u00e7os e obst\u00e1culos P\u00f3s-Rio-1992. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 2002. p. 21-48.<br \/>\n2 JACOBI, Pedro. Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. In Cadernos de Pesquisa, n\u00ba118, p.189-205, mar\u00e7o\/2003. S\u00e3o Paulo: USP, 2003.<br \/>\n3 MOREIRA, Jos\u00e9 Lisboa Mendes. Da ecologia ao novo ambientalismo. Recanto das Letras, Textos: online, 14\/09\/2007. Dispon\u00edvel em: &lt;www.recantodasletras.net\/artigos\/652315&gt;. Acesso em: 28 de fevereiro de 2009.<br \/>\n4 FERREIRA, Antonio Elias Firmino. O EcoUrbanismo \u2013 Compreens\u00e3o acerca de um novo termo. 2007, 80 f. Trabalho Final de Gradua\u00e7\u00e3o (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo) \u2013 Macei\u00f3: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Alagoas, 2007.<br \/>\n5 Camargo et al, op. cit.: 01<br \/>\n6 FUNDO DA POPULA\u00c7\u00c3O DAS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. Situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial 2007 \u2013 Desencadeando o potencial do crescimento urbano. Nova Iorque: UNFPA-Fundo da Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, 2007. p. 76.<br \/>\n7 ALVES, William Rosa. Urbaniza\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o social: educa\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica urbana anti-pol\u00edtica no Brasil. In CARLOS, Ana Fari Alessandri; LEMOS, Am\u00e1lia In\u00eas Geraiges (orgs.). Dilemas urbanos: novas abordagens sobre a cidade. S\u00e3o Paulo-SP: Contexto, 2003. p. 244-252. p. 247.<br \/>\n8 Camargo et al, op. cit.: 01.<br \/>\n9 apud SANTOS, Gustavo de L.; XAVIER, S\u00e9rgio Henrique V.. Equipamento de lazer nos centros urbanos: o aproveitamento dos espa\u00e7os livres para a pr\u00e1tica do turismo. In IX Semin\u00e1rio Lazer em Debate, S\u00e3o Paulo, 2008. Anais&#8230; Dispon\u00edvel em &lt;www.uspleste.usp.br\/eventos\/lazer-debate\/anais-gustavo-sergio.pdf.pdf&gt;. Acesso em: 06 de mar\u00e7o de 2009. p. 03.<br \/>\n10 Camargo et al, op. cit.<br \/>\n11 UNFPA, op. cit.<br \/>\n12 Camargo et al, op. cit.: 05.<br \/>\n13 Moreira, op. cit.<br \/>\n14 Leff, 2001, apud Jacobi, op. cit.: 190.<br \/>\n15 ROMANELLI, Francisco A.. Problemas ambientais. Zantina, Ecologia: online, [200?]. Dispon\u00edvel em: &lt;www.funke.com.br\/zantina\/ecologia\/problemasambientais.htm&gt;. Acesso em: 28 de fevereiro de 2009.<br \/>\n16 COSTA, Maria Helena Couto. Urbanismo sustent\u00e1vel em \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental: o caso da drenagem urbana no Setor de Mans\u00f5es Park Way, em Bras\u00edlia \u2013 DF. 2008, 182 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) \u2013 Bras\u00edlia: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Bras\u00edlia, 2008. p. 09.<br \/>\n17 Camargo et al, op. cit.: 03.<br \/>\n18 Santos; Xavier, op. cit.<br \/>\n19 Guedes, apud Santos; Xavier, op. cit.: 02-03<br \/>\n20 Stapp, in Guedes, apud Santos; Xavier, op. cit.: 03.<br \/>\n21 Meyes et al, in Guedes, apud Santos; Xavier, op. cit.: 03.<br \/>\n22 Cassino, in Guedes, apud Santos; Xavier, op. cit.: 03.<br \/>\n23 Alves, op. cit.<br \/>\n24 VILLA\u00c7A, Fl\u00e1vio. Espa\u00e7o intra-urbano no Brasil. S\u00e3o Paulo: Studio Nobel: FAPESP: Lincoln Institute, 2001.<br \/>\n25 Alves, op. cit.: 247.<br \/>\n26 Alves, op. cit.: 245.<br \/>\n27 Villa\u00e7a, op. cit.<br \/>\n28 Jacobi, op. cit.: 190.<br \/>\n29 RUANO, Miguel. EcoUrbanismo \u2013 Entornos Humanos Sostenibles: 60 Proyectos. 2\u00aa ed, 4\u00aa reimp. Barcelona: Gustavo Gili, 1999. p. 17. No original: \u201cFor centuries (&#8230;), urban fabrics were \u2013 and many still are \u2013 created organically by their own human inhabitants. In traditional urban growth processes, urban biotopes are built, almost by definition, to satisfy the immediate needs and desires of their human inhabitants.\u201d (livre tradu\u00e7\u00e3o).<br \/>\n30 Ruano, op. cit.<br \/>\n31 Jacobi, op. cit.: 192.<br \/>\n32 VEYRET, Yvette (org.). Os riscos: O homem como agressor e v\u00edtima do meio ambiente. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2003. pp. 11-45.<br \/>\n33 Jacobi, op. cit.: 192.<br \/>\n34 Alves, op. cit.: 249-250.<br \/>\n35 Alves, op. cit.: 250.<br \/>\n36 Jacobi, op. cit.: 203.<br \/>\n37 SILVA, De Pl\u00e1cido e. Vocabul\u00e1rio jur\u00eddico. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p. 168.<br \/>\n38 SANTOS, Nuno Andrade. Ambiente urbano e cidadania da urbe. In Espa\u00e7o P\u00fablico, n\u00ba01, abril\/2006. Torres Vedras: Cooperativa de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura, 2006. Dispon\u00edvel em . Acesso em: 05 de mar\u00e7o de 2009. p. 03.<br \/>\n39 Jacobi, op. cit.: 193.<br \/>\n40 GOUVEIA JR., Edgard. Hist\u00f3rias. Todo mundo pode mudar o mundo, s\/l, [2006?]. Entrevista concedida ao website Museu da Pessoa. Dispon\u00edvel em: &lt;www.museudapessoa.com.br\/MuseuVirtual&gt;. Acesso em 22\/02\/2009.<br \/>\n41 Gouveia Jr., op. cit.: 04.<br \/>\n42 Gouveia Jr., op. cit.:05.<br \/>\n43 Ruano, op. cit.<br \/>\n44 Villa\u00e7a, op. cit.<br \/>\n45 Gouveia Jr., op. cit.<br \/>\n46 Jacobi, op. cit.: 196.<br \/>\n47 INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE CURITIBA. Mem\u00f3ria da Curitiba urbana \u2013 Escola de Urbanismo Ecol\u00f3gico. v. 8. Curitiba, 1992. 97p.<br \/>\n48 PIPPI, Luis Guilherme Aita; AFONSO, Sonia; SANTIAGO, Alina. A aplica\u00e7\u00e3o da sustentabilidade no ambiente urbano. In ENECS 2003 \u2013 ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE CIENCIAS SOCIAIS, Bras\u00edlia, 2003. Anais&#8230; Dispon\u00edvel em: &lt;www.arq.ufsc.br\/~soniaa\/sonia\/ENECS\/GuilhermeENECS2003.pdf&gt;. Acesso em: 23 de maio de 2007.<br \/>\n49 Menezes, apud Ferreira, op. cit.: 50.<br \/>\n50 IPPUC, op. cit., pp. 29-30.<br \/>\n51 Jacobi, op. cit.: 196.<br \/>\n52 IPPUC, op. cit.: 09.<br \/>\n53 Ferreira, op. cit.<br \/>\n54 Gouveia Jr., op. cit.<br \/>\n55 SOUZA, Marcelo Lopes de. Participa\u00e7\u00e3o popular no planejamento e gest\u00e3o de cidades sociopol\u00edtico-espacialmente fragmentadas: um ensaio sobre enormes obst\u00e1culos e modestas possibilidades. In CARLOS, Ana Fari Alessandri; LEMOS, Am\u00e1lia In\u00eas Geraiges (orgs.). Dilemas urbanos: novas abordagens sobre a cidade. S\u00e3o Paulo-SP: Contexto, 2003. p. 266-275.<br \/>\n56 DIMENSTEIN, Gilberto. [texto de orelha]. In CAMPOS FILHO, Candido Malta. Reinvente seu bairro: caminhos para voc\u00ea participar do planejamento de sua cidade. 1\u00aa ed, 2\u00aa reimp. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2006. Orelha.<br \/>\n57 Jacobi, op. cit.: 190.<br \/>\n58 Santos, op. cit.: 09.<br \/>\n59 Por \u201cfragmenta\u00e7\u00e3o\u201d, Marcelo Souza entende a separa\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtico-espacial que ocorre nas grandes cidades, tendo como grande exemplo a forma\u00e7\u00e3o de favelas. Os conflitos gerados pela influ\u00eancia do tr\u00e1fico de drogas no desenho urbano \u2013 t\u00f3pico estudado pelo autor em pesquisa realizada entre 1994 e 1997 \u2013 chegam ao ponto de impedir o bom andamento de projetos de reurbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, onde os chefes das \u201cbocas\u201d locais dominam a popula\u00e7\u00e3o e fazem de seus l\u00edderes comunit\u00e1rios meros marionetes.<br \/>\n60 Souza, op. cit.: 274.<br \/>\n61 UNFPA, op. cit., 76.<\/p>\n<p>______________________________________________________________________<\/p>\n<p><strong>sobre o autor<\/strong><br \/>\nArquiteto e Urbanista formado pela Universidade Federal de Alagoas-UFAL, membro do Escrit\u00f3rio-Modelo de Causas Sociais em Arquitetura e Urbanismo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/arquitextos\/10.109\/49\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Confira no site original!<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As pol\u00edticas antiurbanas comuns no mundo em desenvolvimento durante os \u00faltimos vinte e cinco anos t\u00eam sido baseadas numa compreens\u00e3o&#8230;&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-1025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-na-midia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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